domingo, 21 de novembro de 2010

Tô bem

Tá tudo ótimo, porra. Tudo muito bem.
Pelo menos eu me livro daquilo que eu achei que tinha um dia. Nunca devia ter acreditado.
A gente joga no mesmo jogo, paga na mesma moeda. O resto é resto.
Eu tô muito limpa, muito certa, muito vítima de tudo. Daqui a pouco a gente inverte.
Porque eu fico focando em um ponto que falhou, mas o mundo é amplo. E o mundo por mim espera.
É o tipo de seleção natural que eu não estava acostumada. É só a primeira vez que acontece comigo.
São todos lobos. Malditos.

Eu fiquei fora disso, só até agora.
Dessa vez minha faca tá escondida. Eu também sei ser uma idiota total.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

.

às vezes sei o que ocorre
hoje não
não sei o que se passa
principalmente em mim
acordo e já quero
me quero fora
mas dentro das suas unhas
esse excesso me desaponta
me descontrola
vai passar

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eu tenho cara de desastre

é a sua cara de príncipe encantado que disperta nas mulheres essas coisas. o caso é que eu cansei de ver nos filmes e nas novelas paixões que eu nunca descobri. só descobri a luxúria, e admitir isso faz com que o sangue suba à minha face. eu sei do que preciso, mas sei também as ocasiões que me permitem ficar aérea como estou. mas eu não me vigio e flutuo nas imagens que fantasio e memórias que eu crio porque, lógico, nunca aconteceram.

mas é como dizem, príncipe encantado não combina com bruxas. príncipes ficam por cima, rindo, e depois de algum tempo viram até estátua, para serem um exemplo a ser seguido. quem sabe nem vivem... só engraxam a aparência para que os outros tenham a impressão errada. ah, quanto tudo. o principe pôde subir na bruxa, mas preferiu cair do cavalo. e disseram errado, eu não gosto de você.

...só acho que você devia me olhar, um pouco.

sábado, 21 de agosto de 2010

magnífico vértice

Em uma esquina onde de repente se acha.

Os galhos secos da árvore muito acima de mim me puxam e me abraçam.

O esgoto chora lágrimas imundas que se somam até o fim da rua.

O velhice com toda sua paciência arrasta o pé, abre os braços e abraça o jovem que um dia foi.

E se eu nadasse no meio disso tudo, agora? Nada mudaria.

Nem se quer me veriam toda escandalosa a provar gostos dos outros.

Tiro uma foto e guardo no busto como um segredo sagrado. Capturei as lágrimas.

Pelo menos essa luz eu tenho. Se tudo apagasse agora, tanto faz.

o homem do meu sonho que disse.

O homem veio no meu sonho consolar-me, e baixinho me disse que eu acredito em Deus.
E me disse que eu só não tenho tempo. Esse sonho a mim pertence, e ao mesmo tempo mesmo tempo, evapora num piscar de olhos. Foge de mim e do meu controle. É mais uma das muitas contradições. Evapora no segundo em que resolvo acordar... sem mesmo resolver. Até porque a única escolha que eu tenho é dormir mais só para sonhar com o que eu quero. Nos meus momentos íntimos, eu toco os meus desejos com os meus longos braços imaginários e consigo pelo menos recordar o que é que eu queria. Eu estou cansada. Tão, tão, cansada. Quero pisar com meus pés de árvore a minha terra seca. Quero que o ar falte na presença do impossível. Não quero viver com todas essas pessoas. Prefiro queimar no sol escaldante que precisaria percorrer sozinha pra achar o caminho. Ou então, quem sabe, uma bela de uma carona resolveria toda a minha vida. Eu já não consigo mais contar as histórias... e nos meus sonhos tudo se perde. Quanto mais eu tento explicar, mais complicado fica.

sábado, 31 de julho de 2010

Olhei

Eu só consigo me ver entre a fé cega e a vida solitária. Só te peguei ausente todas essas tardes. E para completar a minha falta de sucesso, a sua transformação quebrou minhas pernas. Ardeu como mil goles de cachaça e essa dor de estômago é de engolir toda essa poeira e saber que não existe o que eu quero tanto. Sinto falta da febre na sua pele encostando no meu gélido corpo. Tento todos os dias ver minha vida inteira, porque eu sei que a morte está próxima. Isso é todo o dia que sinto quando estou longe de ti. E tento não programar o dia de amanhã. Meus programas nunca dão certo, e as agendas da mente pegam fogo quando se sonha tanto, e só tento fazer o que consigo ver no fundo dos olhos, que deixa transaparente o que a alma quer ter nas suas garras.

Só te olho de longe e te desejo bem perto. Te imagino na minha boca e te odeio por continuar tão fora de alcance.

E isso me faz lembrar o quando meus olhos escureceram de uns anos para cá. Eles abraçam tudo e observam as molduras e contornos como únicos... deliciam-se. O problema é existir uma arte apreciada por esses desgraçados. Gostam de decadência e barbas por fazer, joelhos cobertos e blusas desabotoados. Meus olhos sentem cheiro de sexo. Meus olhos rezam e acreditam em Deus, porque precisam de algo para perdoar os seus pecados macabros. São gêmeos atrevidos que não mostram nada, são somente duas esponjas que absorvem a beleza da destruição e criam no escuro o castelo de medo para guardar no meio dessa grandiosidade as imagens e os sonhos proibidos, e bem no fundo, os desejos nunca saciados.

domingo, 25 de julho de 2010

confesso

merda.
inferno.
desisto de insistir na paciência que não chega.
aeroporto lotado e lanchonete fedida.
casa do pão de queijo custa caro.

aí eu começo a te escrever e te dedico aquelas mil páginas que te mandei, com a desculpa de que era
para você ver se tava bom ou não. é que você é bom demais. daí chega em mim a lembrança dos seus olhos e...
outra vez eu me perco nos meus pensamentos.

eu não recebo mais notícias e só tenho pesadelos imundos.
eu ando cada vez mais racional, e não quero.

por favor, senhor coelho, puxe-me para sua toca.

\prometo estar sempre por perto.
podemos nos casar.
só por alguns meses. depois eu me mudo e me mato.